16/01/2012 | Serra Catarinense
Lages, 17/01/2012, Correio Lageano
Preciso separar metal e plástico e papel em três sacolas diferentes? Papel higiênico, pode reciclar? Que horas o caminhão da coleta seletiva passa em minha casa? Estas são algumas das perguntas mais comuns da população de Lages, que convive pela primeira vez com um sistema de coleta de lixo reciclável em nível residencial.
A Coopercicla, que faz a triagem do lixo seletivo em Lages emitiu um alerta: não está sendo feita a separação correta. O secretário de meio ambiente, Luiz Marin, rebate, dizendo que “reciclagem não é algo que se faz da noite para o dia”.
Segundo os cooperados, depois que a prefeitura passou a fazer a coleta, a quantidade de lixo aumentou. O resultado disso é que moscas, mau-cheiro e o rendimento da cooperativa diminuiu. “Poderiam estar ganhando mais de mil reais por mês cada um, mas como 80% do material que entregam aqui é lixo, acaba-se perdendo muito e os ganhos diminuem para uns R$ 450”, explica um dos cooperados.
A prefeitura e a Coopercicla não possuem nenhum vínculo, sendo que a cooperativa recebe incentivo municipal devido à Política Nacional de Resíduos Sólidos, que privilegia associações de catadores.
Na cooperativa, mostram sacos coletados pelos caminhões da prefeitura que deveriam ter material reciclável, mas o que encontram é somente lixo. Um dos cooperados abriu um saco, a título de exemplo, e mostrou várias fitas de papel, que poderia ser reciclado, mas o material se perde porque está contaminado por restos de comida que estavam juntos. O secretário do meio ambiente, Luiz Marin, diz que a população precisa de melhores esclarecimentos sobre o assunto. “A pessoa separa três pets em uma sacola e joga um resto de polenta junto. Isso inviabiliza a reciclagem das três garrafas”, explica.
O papel é um material que pode ser reciclado, mas não pode estar sujo de comida e materiais orgânicos. Ou seja, guardanapos usados e papel higiênico não podem ser colocados junto do lixo reciclável.
Assim como restos de comida, eles devem ser colocados em uma sacola destinados a restos orgânicos. Este tipo de material é classificado como ‘lixo úmido’. A outra categoria é conhecida por ‘lixo seco’, que é o material que é passível de reciclagem, como papéis (sem restos orgânicos), plásticos, embalagens vazias, vidros, etc.
Apesar de recomendável, não é preciso lavar embalagens vazias, apenas retirar o excesso de comida. Lâmpadas fluorescentes, pilhas, material eletrônico e alguns tipos de plástico que não são recicláveis devem ser destinados a locais especializados. As lâmpadas fluorescentes devem ser entregues nas mesmas lojas em que foram compradas, mediante apresentação de nota fiscal. Se forem entregues para os caminhões da prefeitura da coleta seletiva, elas colocam em risco a saúde das pessoas que fazem a triagem.
Pilhas e materiais eletrônicos devem ser destinados a pontos de coleta ou empresas especializadas na coleta e reciclagem deste tipo de material. “Lages tem empresa que faz reciclagem de vidro, de eletrônico, de material de construção e outras empresas e associações que trabalham com material reciclado e recebem incentivos da prefeitura”, diz Marin.
De acordo com um levantamento do IBGE, de 2008, o Brasil produz, diariamente, 183 mil toneladas de lixo urbano. Sendo que mais da metade disso é jogado em lixões, gerando um prejuízo anual de R$ 8 bilhões.
“Coleta seletiva não se faz da noite para o dia”
Segundo a cooperada Tereza Rosa Feliciano, um dos problemas que podem estar ocorrendo na coleta de material reciclável pela prefeitura são os horários. “O certo seria ter um dia para pegar material reciclável e outro para o lixo orgânico, assim os moradores saberiam quando é para colocar os diferentes tipos de lixo”, explica.
O secretário municipal do meio ambiente, Luiz Marin, acha a ideia interessante, apesar de reconhecer que poderia causar imbróglios na região central da cidade. “É algo que podemos pensar. O certo seria os caminhões passarem de dois em dois dias, mas no Centro o lixo é recolhido todo dia e se não fizer essa coleta diariamente vai ter muita gente reclamando”, explica.
Isso acaba gerando um outro tipo de empecilho. “O caminhão de reciclável recolhe tudo o que vê. Por isso vem muito lixo. A dona-de-casa que estava se esforçando para separar, vê que eles recolhem tudo e não separa mais, porque acha que não é mais necessário. É como um mau exemplo”, explica.
A falta de divulgação dos roteiros dos caminhões que recolhem material reciclável também é um problema segundo Tereza. “As pessoas não sabem quando passa a coleta seletiva e a normal, e colocam tudo junto”, opina Tereza. O horário que os caminhões da coleta passam, segundo Luiz Marin é três horas antes do recolhimento do lixo orgânico.
A falta de seleção do lixo por parte dos funcionários da prefeitura também causa problemas. Uma das cooperadas mostra que deveria se abrir a sacola, recolher o material reciclável e fechar novamente o saco de lixo. “O pessoal da prefeitura traz os sacos fechados e vem muito lixo neles. Sei que eles não têm culpa, pois começaram agora, mas depois eles aprendem”, diz um dos cooperados.
Marin explica que os funcionários passaram por um treinamento. “Eles sabem que têm que levar os sacos mais leves. Abrir sacolas não é a função deles, eles fazem unicamente a coleta. Quem vai fazer a separação é a Coopercicla”, explica. “Falta o pessoal se acostumar a colocar a lixo reciclável antes e o lixo orgânico três horas depois”, explica.