Dez quilos de papel no lixo por mês

Cerca de 40% do lixo seco que uma pessoa descarta ao dia é constituído de papel. Em 2009, o Brasil reciclou 3,9 milhões de toneladas desse material
Pedro Moreira | pedro.moreira@zerohora.com.br
Há tempo a reciclagem deixou de dizer respeito apenas à preocupação ambiental. Em diferentes setores da economia, o reaproveitamento de materiais ganha espaço como protagonista da cadeia produtiva. Siga o @zhnossomundo no Twitter
Dados da Associação Brasileira de Celulose e Papel (Bracelpa) apontam que o Brasil reciclou, em 2009, 3,9 milhões de toneladas de papel. Foram R$ 2 bilhões mexendo com a economia do país. E toda essa movimentação tem uma origem: o lixo que você produz.
Conforme Jairo Armando, diretor da Divisão de Projetos Sociais do Departamento Municipal de Limpeza Urbana de Porto Alegre (DMLU), a média diária de lixo descartado por pessoa em uma cidade como a capital gaúcha é de um quilo. Do que é recolhido na coleta seletiva, cerca de 35 % a 40% é papel.
Considerando-se essa estimativa, cada pessoa descartaria mais de cinco quilos do material por mês - entre embalagens, jornais, papelão e outros derivados. Isso comprova a necessidade de, além de separar os resíduos para que tenham a destinação correta na reciclagem, reduzir a produção deles.
Criado a partir do conceito de que é preciso agir pensando no futuro do planeta, Giovanni Schardong Pereira, sete anos, sabe bem que pequenas ações também ajudam a melhorar o mundo em que vivemos.
- A minha avó sempre quer colocar fora o rolo de papelão do papel higiênico. Eu não deixo e pego para usar como sucata - conta o tímido morador porto-alegrense.
Lixo para uns, luxo para outros
Envolvido com uma rotina caseira de separação do lixo implementada pela mãe, a contadora Luciana Schardong, 35 anos, o pequeno reciclador vai além da divisão entre orgânico e seco para descartar os resíduos. Giovanni tem um sucatário - feito de uma caixa de papelão reaproveitada, é claro - onde guarda objetos que podem virar brinquedos ou instrumentos musicais. O isopor da embalagem do micro-ondas novo da tia vai fora? Nem pensar. É logo transformado em uma TV, onde o menino encena peças com fantoches.
- Quando eu era pequena, lembro de não separarmos os lixos, mas isso mudou bastante. Em casa, não produzimos tanto lixo assim, o importante hoje é diminuir a quantidade. O Giovanni sempre me fala que o lixo de uns é o luxo de outros - afirma Luciana, enquanto conversa com o filho sobre o destino do material encaminhado aos galpões de reciclagem.
NOSSO MUNDO SUSTENTÁVEL
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